"Enquanto não conseguirmos suprimir qualquer uma das causas do desespero humano, não teremos o direito de tentar a supressão dos meios pelos quais o homem tenta se livrar do desespero."
Antonin Artaud

domingo, 31 de maio de 2009

Soneto do Desmantelo Azul - Carlos Pena Filho

SONETO DO DESMANTELO AZUL

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas,

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.


Poema simbolista do poeta Carlos Pena Filho.

marcus de barros.

quinta-feira, 28 de maio de 2009



















estava confabulando com o amigo gilsinho - após ter imaginado comigo mesmo ao tomar conhecimento do pequeno acidente - se talvez não exista a possibilidade remota de este evento - acidente com a belina - ter sido, de certa forma, sugerido pelo sonho da noite anterior.
ou mais claramente: será que é possível que, exatamente no lapso de tempo - instante exato em que o motorista da belina percebe o perigo iminente da batida adiante, pensa e necessita apertar o freio e freiar o automóvel - se exatamente neste recorte de tempo, entre a percepção da iminência da colisão e o ação de freiar em si, a mente do sujeito em questão trouxe-lhe à memória o sonho vivido recentemente (que se encaixava de certa maneira no episódio da ainda possível colisão, pois até este momento ainda não tinha acontecido de fato) e então a mente distraída com a memória recente distrai também o corpo e o acidente simplesmente acontece.
em suma: o sonho antecipa o acidente, sugerindo a destituição da linearidade do tempo, ou o sonho próprio termina influenciando as ações inconscientes do sujeito?
finalmente, não sei se adimitir qualquer das questões isoladamente é o mais sensato. por não querer negá-las as duas, admito que há a coexistência de motivos e significados concomitantes.


ps.: sobre a foto: percebes-te a tu mesmo refletido e invertido no farol direito da foto (esquerdo do carro)? construção em abismo ali.
talvez seja também construção em abismo o evento - acidente - dentro do próprio sonho.




marcus de barros.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

There´s Only One Sun (2007, Wong Kar Wai)

Estética: a beleza de Wong Kar Wai pinta metade das estátuas gregas (apolíneas) de vermelho, e as coloca em luz "neon".
Kar Wai é um dos que sabem o que é beleza.



quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amelia (excerpt, 25' 14''), 2003 · Choreography: Edouard Lock · Music: David Lang · Ballet: La La La Human Steps · Canada'



esse é o cume alto da beleza.
não sei se mais bonito são os olhos ou a dança.
me veio a imagem de duas pessoas de 15 centímetros, dentro de uma caixa de sapato,
ou talvez de 2 centímetros dentro de uma caixa de cigarros... tão branda é a gravidade.
ele dança o corpo dela. quase num corpo só.
as sombras me arrepiaram.
parecem que flutuam!
se há beleza verdadeira, esta é a sua mais limpa versão.
agora imagino que ela tem no máximo 3 quilos, é tão suave quanto o cabelo que balança com a respiração que sai do nariz.
ademais, é profundamente sensual.
me sinto grato por me ter sido proporcionado entrever tal absurdo de beleza.
ps.: a música é o que "dança" eles. descobri: ela é um violino finíssimo e ele, o músico que toca o violino.

sobre: http://www.youtube.com/watch?v=MaHSMn-aH34
Amelia (excerpt, 25' 14''), 2003 · Choreography: Edouard Lock · Music: David Lang · Ballet: La La La Human Steps · Canada' · [ http://www.lalalahumansteps...

marcus. (impressionado)

domingo, 10 de maio de 2009