"Enquanto não conseguirmos suprimir qualquer uma das causas do desespero humano, não teremos o direito de tentar a supressão dos meios pelos quais o homem tenta se livrar do desespero."
Antonin Artaud

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Busca


Pus vela em barco
Pra palpar o horizonte
Onde céu mergulha em água
Onde mar se eleva às nuvens

Quis palpar o horizonte
E vagar em terra outra
Conhecer o que há pra além
De um desfecho linear

Naveguei a todo vento
E eclodiu a tempestade
Poderosa expressão
Do que é não ter controle

Clareia o céu, descansa o mar
Para então eu perceber
Que pra além do horizonte
Há o que há em todo canto

Horizonte que se faz
No bem-ser aqui e agora
Completude grandiosa
Que nos leva à em tudo estar



(Uma possível replica ao post “horizonte” do amigo Marcus.)

Gilson

3 comentários:

marcus disse...

amigo,
sem necessariamente contradizer-me, disseste muito mais em menos palavras.
(palavras, apenas instrumento)
consiso e experiente, o foste, o és.
vejo toda uma existência comprimir-se e dissipar-se neste teu poema.
é preciso navegar bastante no ser para perceber como percebes a partir do que vejo em tua escrita.
amigo, adimiro-o como a uma luz vezes fervente vezes calma como um lago.
amigo, vá, vamos, continuemos "sendo".

Rodrigo de Morais disse...

eu lembro do Dia em que nós três, no pontal de maracaípe, presenciamos o céu dividido entre o Sol e a Lua no fim do dia, em um fenômeno pouco comum... ambos os horizontes nunca estiveram tão belo.

Gilson disse...

o conteúdo de seu post é bastante interessante, marcus. Eu já pensei bastante sobre as limitações conceituais das palavras, e o quão frustrante pode ser não conseguir expressar os conteúdos inefáveis da vida, mas é assim mesmo, existem ainda outras artes que poderão também ser aplicadas para tais objetivos. Mesmo assim, que bom que existem as palavras, como é bom ler um bom livro, um poema, até mesmo conversar... Por causa delas entramos em uma biblioteca ou livraria e séculos de experiência humana estão ao nosso alcance.