"Enquanto não conseguirmos suprimir qualquer uma das causas do desespero humano, não teremos o direito de tentar a supressão dos meios pelos quais o homem tenta se livrar do desespero."
Antonin Artaud

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Prazer é a Ponta do Fio do Desejo

O prazer é a ponta do fio do desejo.

1. O desejo é a potência do homem.
Sem desejo não há "vida".

2. Só há o prazer através do desejo.
O desejo é anterior ao prazer.
O desejo é a condição de existência da busca; o desejo é o que dá ímpeto e movimento à busca.
O prazer é o fim da busca; o prazer é a meta, é a recompensa por ter atingido o fim, só existe em um instante, não pode ser perpetuado ou continuado.
No entanto, no instante do prazer, o desejo se vai. Morre temporariamente. O desejado já foi atingido, o fim já foi atingido. A busca pára por um momento.
Há um hiato então.
..
E volta novamente o desejo, e então a busca, com o desejo que ressurge do instinto humano, animal, guardado em nosso ser.
Até que o ciclo se refaz.
Tem-se vida.
Sem desejo, não há vida. Sem desejo, sequer há busca, sequer há movimento, ou muito menos prazer.


marcus.
** escrito feito, inicialmente em tom jocoso com o amigo Diego Lins (vulgo Cabeça), ao discutir-se sobre o desejo.

6 comentários:

Gilson disse...

minha liberdade fala mais alto que o meu desejo, porque em cima de mim só tem eu mesmo.

marcus. disse...

e o desejo da liberdade?
sem ele há ainda liberdade?
o desejo pode fomentar liberdade.

Gilson disse...

sim. mas ai eu troco a palavra: desejo por vontade=will, pois o objeto do querer transcende a mera satisfaçao do momento.

marcus. disse...

mas a satisfação do momento seria o prazer.
o desejo, foi colocado como a força motriz do movimento, e o movimento, condição necessária à vida, neste caso, o conceito de vontade se assemelharia ao conceito de desejo.
talvez em inglês seja mais cabível will.
ou em outra língua qualquer, "briugis", ademais, o que é fundamental perceber é o significado do termo e do conceito, sua potência interna necessária à compreensão através da linguagem, através dos signos.
o significante, neste caso, importa pouco, uma vez o significado compreendido.
sem mais teorias linguísticas, acredito que "falamos a mesma lingua", ou seja, com "desejo" e "will" nos aproximamos e tocamos os intuitos iniciais que formularam tais colocações acerca de como e com o que se percebe "vida" (que poderia ser, "fagirt" em outra língua).

amigo, é um prazer compartilhar a existência com você.

Rodrigo de Morais disse...

Me identifiquei com vossos pensamentos; e a respeito do que você quis dizer no texto, marcus, escrevi algo parecido e compartilho.

O outro dos meus sonhos.

O outro dos teus sonhos não é um outro como os de teu cotidiano. O outro dos teus sonhos é uma extensão do teu desejo, manifestado em metáfora daquilo que tu quer para ti mesmo. O desejo, no teu sonho e cotidiano, é tudo aquilo que ultrapassa tua compreensão intelectual sobre si, e sobre o fenômeno -o desejo vai mais além de uma "vontade de". O desejo emerge, e onde ele
acontece em falha, ele acerta.

marcus. disse...

me parece que essa concepção de desejo se aproxima um pouco da concepção lacaniana em psicanálise...
muito embora eu precise estudar mais, sempre.