"Enquanto não conseguirmos suprimir qualquer uma das causas do desespero humano, não teremos o direito de tentar a supressão dos meios pelos quais o homem tenta se livrar do desespero."
Antonin Artaud

sábado, 14 de novembro de 2009

Atento, alerta

Atento, alerta
(Egberto Gismonti)



nem sei quem sou nesta vida
pensei: que fiz neste mundo?
eu sou gente, um ser consciente
ou sou um andróide, que trabalha
vota em branco, vai ao banco?
vida amor, morta em meu "quem sou eu"?
depois me entrego em pó ao chão

atento, alerta, ao que se oferta a mim
dor, lei, guerra quente, fria chega
rompo com o mundo dos homens
forjo meu próprio viver
passo do olhar um lugar amor, camará

lute você se quiser
eu fujo armado de amor
armas de amante ansioso
brancas, polidas

eu sou desertor, desertei
eu quero achar a poesia do mundo e o poeta
que fez que a rosa rosasse
fique em mim quem padece amando
sobrepondo o amor

eu vou ser
cego, surdo, mudo ao mundo
dos que se entregam a batalhas, matam, escapam medalhas
fazem do peito um lugar a dor, camará

lute voce se quiser
eu fujo armado de amor
armas de amante ansioso
brancas, polidas

eu sou desertor, desertei
no amor eu acho a poesia do mundo e o poeta
que fez, que a lua luasse
fique em mim quem padece amando
sem descrer do amor

atento, alerta
atento, alerta
atento, alerta

2 comentários:

Diego disse...

Assim como "ele"..Somos o amor!

rodrigo de morais. marcus de barros. gilson santos. disse...

Eu honestamente estou maravilhado com tudo isso postado aqui. Espetacular o vídeo do post anterior, maravilhosa poesia!
maravilha Maravilhoso, de-mais, de mar - ar - ilha, de belo, sublime, de grandioso.