"Enquanto não conseguirmos suprimir qualquer uma das causas do desespero humano, não teremos o direito de tentar a supressão dos meios pelos quais o homem tenta se livrar do desespero."
Antonin Artaud

segunda-feira, 16 de março de 2009

não tenho tido muitas oportunidades de visitar as virtualidades (no sentido específico da internet; pois a outras virtualidades mais imagéticas, tenho sim visitado com frequência). aliás, tenho até lido um pouco rapidamente o que tem sido colocado aqui no blog.
em uma frase - tenho me emocionado com o conteúdo do mesmo. parece crescer, se aprofundar e criar raízes difusas no conhecimento, ou ao menos na busca por este último.
enfim, até escrevi algo no caderno (à mão mesmo, como já tem se feito tão pouco) para trazer e colocá-lo no blog, algo sobre a relação do sonho com a morte ou com a vida (a partir do escrito do amigo de morais).
porém, agora, escolho não continuar com minhas próprias produções de linguagem sobre o mundo, e sim, passarei a palavra a um grande expoente da literatura universal, que colocou bem a questão dos signos (e sua supressão) na realidade.

Fragmento de texto de Alice Através do Espelho, Lewis Carroll:
"Este deve ser o bosque", murmurou pensativamente, "onde as coisas não têm nomes". [...] Ia devaneando dessa maneira quando chegou à entrada do bosque, que parecia muito úmido e sombrio. "Bom, de qualquer modo é um alívio", disse enquanto evançava em meio às árvores, "depois de tanto calor, entrar dentro do... dentro de quê?". Estava assombrada de não poder lembrar o nome. "Bom, isto é, estar debaixo das... debaixo das... debaixo disso aqui, ora", disse colocando a mão no tronco da árvore. "Como essa coisa se chama? É bem capaz de não ter nome nenhum... ora, com certeza não tem mesmo!".
Ficou calada durante um minuto, pensando. Então, de repente, exclamou: - Ah, então isso terminou acontecendo! E agora quem sou eu? Eu quero me lembrar, se puder.



Encontrei este fragmento estudando linguística, algo sobre a teoria dos signos. Estava lá, no começo de um capítulo, como que uma síntese poética do que virá. Já iniciei interessado. Penso e tenho pena dos que estudam coisas sem sentido algum.




marcus.

11 comentários:

Rodrigo de Morais disse...

A contribuição de suas palavras na formação dos pensamentos deste blog, se faz por exigir um esforço seu, para um constante retorno a esta janela de possibilidades, marcus.

"Penso e tenho pena dos que estudam coisas sem sentido algum."

E tem tantos neh?, tantos...

Gilson disse...

"Penso e tenho pena dos que estudam coisas sem sentido algum."

Como classificar o que têm ou nao sentido?

Rodrigo de Morais disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo de Morais disse...

para classificar eu estabeleço critérios pessoais em relação ao ''objeto'' em questão, sobre coisas que acho ter sentido e outas não outras.

Ex:
O Grande Colisor de Hádrons (LHC), instalado na Europa, que vai investigar a possibilidade da existencia da partícula Higgs, que se acredita ser a particula que forma a materia escura que representa maior parte do universo.

Minha visão pessoal não consegue processar sentido (magestoso) algum, nesse investimento monstruoso da ciencia, da energia do homem, em querer saber a origem do universo...

Eu pessoalmente, busco coisas distantes de querer saber origens desse tipo. Penso em que isso pode de fato mudar minha vida. Se minhas angustias vão ser sanadas se Higgs aprecer justificando a existencia. Um monte de Se que surge a partir disso... E que eu acho pouco provável que me vá contribuir em algo, vendo que hoje eu me preocupo mais com o que eu sou, e estou para ser.
Eu acho pouco sentido em coisas como estas.

e ainda Tem gente que fica estudando os signos nos céus. Os astros... olhando para o extra-humano, extra terreno, de uma forma tão pequena, que dá a impressão de provocar um distanciamento ainda maior do homem sobre o humano. Do homem sobre sua pequena exitencia...
esse tipo de busca essencialista, que atrela uma origem a todas as causas, que quer sair justificando a todo custo a existencia, de um extremo passado até hoje de uma forma precisa, e clara, é vago de sentido pra mim, menos importante que estudar a cultura, ou ler Shakespeare.
Em se tratando de uma opinião pessoal, julgo ser ausente de sentido mesmo.

Gilson disse...

è provavel que algums cientistas do colidor digam o mesmo sobre shakespeare. Sentido é meramente uma contruçao de valores nada mais, prefiro mesmo é abarcar o todo da existencia. Dizer que algo nao tenha sentido algum é meramente nao compreender.

Gilson disse...

sem querer forçar a barra, mas frase mais correta seria:

"Tenho pena dos que nao compreendem a inter-complementaridade dos saberes, pois a investigaçao do estado-de- ser, seja pela arte ou pela ciência é um único processo"

Rodrigo de Morais disse...

num acho ser "meramente" não conhcer não. pra mim não nesse sentido. A partir do momento que você ler alguma coisa, você pensa sobre, você como pessoa pode classifar naturalmente sentido ou não naquilo. é humano. É opinião, ora. desde que você argumente a respeito...


toda investigação sobre o ser, é num unico processo quando se trata do verbo "estudar" sobre.até aqui eu concordo. e é um estudar sobre invenções do homem sobre si mesmo até, como falar que a existencia veio de um big bang e tal, especulações cientificas.. e eu enxergo vias tão distantes nesta procura, modos de estudar tão distintos, visões tao diferentes do homem, que não poderiam ser de um mesmo grupo não. são ramificadas em distancias. Não consigo conceber de outra forma. com isso eu não estou dizendo que a interdisciplinaridade dos saber é algo ruim, não. Num se trata disso. A integração dos saberes que a gente discute na academia em favor do homem é com intuito de trazer praticidade, melhoria, quando se relaciona as praticas humanas. e eu vejo tantas coisas desdizer isso de "inter"... Um exemplo é a visão do direito sobre o homem, e a visão psicológica sobre o homem. como é comum de um juiz muitas vezes só chamar um psicólogo pra aplicar um teste e comprovar a psicopatia do sujeito, e pronto. é tão mais complexo estudar isso, e um chega e exerce o poder coesitivo sobre o outro quem nem se pode dizer de "inter"... Só sito isso por ser um exmplo que eu estudo. e com isso eu consigo me sentir bem quando penso um "sem sentido" sobre coisas, sem me sentir ignorante. Também não quero foçar a barra, amigo... mas como isto é um espaço de discussao e opinião, quem quer falar, digita, neh.

Gilson disse...

Tanto que eu leio o que é digitado, com interesse e repetidas vezes com admiraçao até. Mas achei essa frase em desacordo com minha experiencia, meu estudo de vida. Sinto ser minha opiniao certas vezes apenas forte demais, e isso acaba gerando tensao, é que nem tudo me desce a guela, nao é meu intuito ofender ninguem nao.

marcus. disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
rodrigo de morais. marcus de barros. gilson santos. disse...

A discussão tá bonita. Digna de um Rodrigo, um Gilsinho..
Fico titubeante em fazer qualquer consideração, preciso repensar.
Mas enfim, faço:
Dentre tantas possibilidades hipotéticas de discussão sobre "fazer coisas sem sentido", como referido e que desencadeou tal discussão, escolho, entre diversos, um tema para colocar. Este é: "alunos de universidades não ultrapassam a superficialidade do conhecimento do seu objeto de estudo".
Qual é o sentido verdadeiro de a pessoa frequentar um curso universitário, por exemplo, de computação? Ou administração? Quem sabe, psicologia? Letras?
O que faz um homem que não busca verdadeiramente o "saber" no "campo dos saberes", por exemplo? Afinal, imagino a universidade como um "campo do saber", ou da busca pelo saber.
Neste caso hipotético, esta pessoa não tem idéia do que significa realmente o seu objeto de estudo, esta pessoa apenas segue o fluxo de "chamadas" da sala de aula para constar presença nas aulas, não "escolheu" de fato sua "profissão", estudar pelo simples fato de que o mundo social em que ela viveu até então colocou-a em um colégio X, com a "obrigação" social de cursar o ensino superior posteriormente, uma vez dada a oportunidade, e buscar um futuro profissional que deveras desconhece o significado.
Imagino isso como uma coisa sem sentido. Para sair um pouco do campo das hipóteses, caio no meu exemplo auto-analisado-criticado-vivido: não tinha sentido algum eu cursar computação, estava eu fazendo uma coisa sem sentido. Quando tive certeza, saí a procurar meu sentido e aqui estou eu, buscando os sentidos, as minhas verdades.
Não que saibamos os significados das coisas. Não o sei. Acredito que ninguém o sabe de absoluto. Mas buscamos. O segredo tá na busca, não na obtenção. Vida é busca. Obtenção é conformismo, é morte, é anti-espírito-jovial. Desejo é desejo enquanto busca, o prazer suprime o desejo e o prazer é quase tão triste quanto o nada, após o prazer só se espera a busca iniciar-se novamente, e assim sucessivamente até não existir mais busca, e sem busca acaba-se o sentido.
Acabo de achar uma contradição na minha própria frase, "aqueles que buscam coisas sem sentido", então se há uma busca, já é alguma coisa, mas no exemplo hipotético que coloquei acima e que vejo muito nas pessoas que passam pela minha vista, é que muitas vezes não há sequer busca.
Não quero criticar enxergar necessariamente um mundo de superficialidades em sua maioria, mas me parece que o são as pessoas neste mundo, a humanidade (me refiro a maioria das pessoas) me parecem estar numa busca vazia por valores que nem sequer existem mais, parece haver uma busca por valores que as pessoas nem sabe mais o que são.
A humanidade tem tanto amor, tanto ódio, tanta energia, e tantos desses humanos ficam na superficialidade do auto-conhecimento ao invés de aprofundar, na superficialidade do profissionalismo, na superficialidade da existência até, sendo automáticos com suas escolhas, absorvendo o modo de ser que paira na cultura, na sua época, parece que tão poucos se pensam, se olham, se veem e se enxergam realmente. Posso estar bem errado, bem sei. Afinal, meu mundo é meu espelho do mundo, o que eu interpreto do que vejo, e tenho tentado ver um mundo mais rico de valores, de buscas, de verdades. Tenho encontrado muita coisa em mim mesmo e no mundo para mim, mas vejo que tem tantos que sequer se percebem vivos.
Estou sucitando mais esse ponto na discussão pois sei que penso muito na questão, mas quero apenas colocar mais um ponto, adicionar algo à discussão, espero que consiga.
Acho que as coisas precisam ser sentidas de verdade, a vida precisa ser vivida de verdade, as pessoas precisam olhar para as outras e enxergá-las de verdade, e não ficar nessa superficialidade que paira pelos cupins da sociedade. Pois parecem cupins seguindo apenas o instinto do grupo sem se pensarem como indivíduos, mesmo indivíduos universais, como tento ser. Mas antes de me perceber como indivíduo universal preciso me "perceber" no mundo, é o primeiro passo, e esse passo muitos sequer tomam conhecimento.
Já que eu falei em "verdade", "de verdade", já coloca-se outro ponto ainda anterior, que é "O que é a verdade ?"
...
Fico nas reticências após dizer que meu discurso é de dúvida e não de afirmação.
Queridos..

Gilson disse...

Sim, Marcus, acredito ser essa a busca de todos nós, obrigado pelo seu post.