"Enquanto não conseguirmos suprimir qualquer uma das causas do desespero humano, não teremos o direito de tentar a supressão dos meios pelos quais o homem tenta se livrar do desespero."
Antonin Artaud

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Variações de um Eco em Si Menor

Escuro, mudo, negro
Com certeza irei voltar
Para onde eu vim a ser
No começo, bem lá no começo

Quando a saga se iniciou
E só restava seguir em frente
Pra da uma passeada,
Na órbita da existência

O ciclo de uma vida
Com direito a muitas mortes
Construir desconstruindo
Desfragmentando por camadas

Voltarei então,
A ser quem já não sou
A ser o que já fui

Para ser um ser não-ser
Como uma gota d’água
Que se dilui no oceano
Para ser o próprio oceano

Porque o espelho delimita
Meu corpo, a contemplação
De uma pseudo-unidade

Enquanto mais adentro
Mutiplicam-se os “eus”
Que não cheguei a conhecer

No mais, sou colecionador
Quero seqüestrar os “eus”
Do inconsciente, pendura-los
Pra secar em meu varal

Quando estão bem enxutos
Os visto com quem acaba
De ganhar uma nova camiseta

E saio pra caminhar
Expondo a mais nova
Versão de mim mesmo
Revista e atualizada

6 comentários:

rodrigo disse...

Essas palavras, estes dizeres me soam como reflexões “gilsonianas” que sempre me trazem um toque de identificação. Olho para o céu da noite e denomino meu eterno útero (também)!

Victor disse...

Tal Inconstância do "Eu" é notória em todos nós Amigos!!!
Percebemos isso pelas nossas várias "fases" desenvolvidas individualmente e, principalmente, de forma conjunta.

Gilson disse...

gilsoniano é um termo que eu ainda não tinha escutado... mas é, poder compartilhar ideias com pessoas ricas em ideais é pra mim uma grande honra. Esse é um tipo de blog que me da orgulho de fazer parte.

Marcus disse...

A busca por um Eu se dá a cada
.............. [ momento
e constantemente se refaz, recomeça.
Quem, por ventura, acreditar
........... [ já ter encontrado
esse centro de personalidade
ao qual denominamos "Eu",
talvez esteja se privando
de se encontrar em vários outros
............... [ aspectos,
em vários outros mundos,
em vários outros Eus,
em vários outros vários.

Vários, são os Eus que variam
dentro de uma busca vária,
inconstante, contraditória,
que por tanto variar,
já varia sem medo.
E que sem vário
quase me deixa avariar, enlouquecer.

- Marcus T.

Marcus disse...

Mago, a poesia "Variações de um Eco em Si Menor" é de tua autoria?
Fiquei me perguntando..
Além de estar muito bem embasada está também belamente bem escrita. Bela, esguia e carregada de significado.
Que beleza!

- Marcus T.

rodrigo disse...

Não. Pertence a meu caro, gil som. Muito típico dele por sinal (as palavras, o raciocínio) beijo, meu querido!